Em meio a tantas dores, lágrimas, saudades,
sorrisos e um imenso e desmedido amor, estou me sentindo mais que metade.
Aprendendo a me sentir inteira. Aprendendo. Processo lento. Difícil. Mas estou
tentando. Persistir. Insistir. Talvez o tempo não esteja a meu favor. Talvez
ele acabe antes que eu entenda a razão e o porque de tudo. Talvez. Mas o hoje
existe, e eu aqui estou. Caindo, levantando, me arrastando, mas estou. Vivendo
no singular e rejeitando instintivamente toda forma de plural.
Não. Não digo que me basto. Nem quero ser ou me sentir assim. Me tornei indiferente a muitas coisas, isso não nego. Demonstrar minha sensibilidade já me deixou muitas cicatrizes e a maioria delas ainda doem, muito.
Isenção de afetos? Impossível.
Continuo sendo amor da cabeça a ponta dos pés. Minha depressão incontrolável
agora tem minutos de suavidade. Continuo menina, continuo mulher. As duas andam
de mãos dadas em suas ansiedades e exageros. Continuo deixando pétalas de
flores no caminho. Continuo encontrando flores onde a maioria só vê arame
farpado. Continuo amando. Porque nasci beija-flor.